Ficha do catálogo mariano de Carlo Acutis referente a Nazare, em Portugal.

A confirmar nas fontes locais.
Registro presente na lista pública da exposição mariana associada a Carlo Acutis. Ficha inicial: revisar e complementar com fontes eclesiais locais antes de publicação histórica detalhada.
Este cadastro foi criado para completar o índice público das aparições e manifestações marianas catalogadas na exposição de Carlo Acutis. A ficha de Nazare, em Portugal, deve ser aprofundada com fontes locais e eclesiais antes de receber uma narrativa histórica definitiva. Enquanto isso, serve como ponto de partida para organização, busca, revisão e enriquecimento catequético dentro do portal Todo Teu, Maria.
Aparição da Virgem Maria em NAZARÉ
PORTUGAL, 1182
esde os primeiros séculos do Cristianismo, a zona de Coutos de Alcobaça, que compreendia também Nazaré, foi sempre
caracterizada por uma intensa devoção mariana. Em tempos imemoráveis, o culto a Nossa Senhora de Nazaré, em particular,
afirmou-se como um dos mais antigos e importantes (ao menos desde o século XIV), estendendo-se até mesmo além dos meros
confins regionais.
A história de Nossa Senhora de Nazaré e a história do milagre de Dom Fuas Roupinho fazem parte da tradição do povo português. Para
sua divulgação contribuiu notavelmente a obra do monge cisterciense Frei Bernardo de Brito, que em sua "Monarquia Lusitana" associou
o culto medieval de Nossa Senhora de Nazaré ao milagre do cavaleiro Dom Fuas Roupinho.
Segundo o relato do monge cisterciense, que rapidamente ficou impresso na memória de todos, a imagem da Virgem, esculpida em madeira
pelo próprio São José e pintada por São Lucas, provinha de Nazaré da Galileia. No século IV, a imagem estava em mãos do monge grego
Ciríaco, que a confiou à proteção de São Jerônimo, o qual lhe aconselhou depois a levá-la à Africa e entregá-la a Santo Agostinho, Bispo de
Hipona. Foi S. Agostinho que levou a imagem venerável à Península Ibérica e a doou ao Mosteiro de Cauliniana, situado na região de
Mérida, na Espanha, onde ocorreram muitos milagres. A Virgem de Nazaré ficou naquele mosteiro até o VIII século, quando a Península
Ibérica foi conquistada pelos mouros. Após a derrota das armadas cristãs na Batalha de Guadalete, Dom Rodrigo, o último rei dos godos,
refugiou-se no Mosteiro de Cauliniana. Sucessivamente, fugiu das invasões árabes junto com Frei Romano, levando consigo a imagem
sagrada de Nossa Senhora de Nazaré e uma caixa contendo as relíquias de São Brás e São Bartolomeu. Dirigindo-se sempre ao oeste, em
22 de novembro os dois fugitivos chegaram finalmente à localidade hoje conhecida como Pederneira. Depois, avistaram um eremitério
abandonado no Monte de São Brás e foram para lá. Chegando ao local, o rei Dom Rodrigo expressou a vontade de ficar sozinho, enquanto
Frei Romano prosseguiu para o Sítio, levando consigo a imagem da Virgem e a caixa das relíquias. Chegando ao promontório, colocou a
imagem e a caixa na cavidade de uma rocha. Antes de se separar, os dois companheiros haviam concordado que, ao término de um período
de isolamento, acenderiam, ao final de cada dia, uma fogueira nos respectivos montes, para sinalizar um ao outro de estar ainda com vida.
E assim fizeram até o dia em que Dom Rodrigo não viu mais sinal algum da parte de Frei Romano. Logo, dirigiu-se até o Sítio, onde encontrou
o próprio amigo já morto. O rei, então, deu-lhe sepultura nos arredores da gruta em que estava colocada a imagem de Nossa Senhora de
Nazaré e depois se foi. A imagem permaneceu naquele lugar até o tempo do rei D. Afonso Henriques, quando foi descoberta pelo Capitão
de Porto de Mos, Dom Fuas Roupinho, durante uma caçada. Desde aquele dia, sempre que se encontrava nas proximidades, este ia venerar
a imagem da Virgem. Num dia nublado - 14 de setembro de 1182 - durante uma das tantas caçadas, Dom Fuas lançou o próprio cavalo
na direção de um cervo. Cegado pela névoa, perseguiu o animal até a beira do precipício. Só então ele percebeu que o veado tinha caído no
abismo e que ele mesmo estava à beira da rocha. Foi naquele momento que o cavaleiro se lembrou da imagem de Nossa Senhora escondida
nas vizinhanças e invocou seu auxílio para ser salvo. Imediatamente o cavalo parou, permanecendo apoiado ao chão só com as patas
posteriores, permitindo a Dom Fuas de salvar-se da morte certa. Após o milagre, o cavaleiro foi até a gruta em que se encontrava a imagem
para agradecer a própria proteção e dirigir a ela uma oração, com a promessa de erguer naquele mesmo local uma capela em sua honra, a
Ermida da Memória.
açada, de fato, o cavalo de Dom Fuas, a ponto de precipitar-se
Alguns dos belissimos azulelos que revestem o Santuario
Fonte: Exposição das Aparições de Nossa Senhora - Carlo Acutis
Toda verdadeira manifestação mariana precisa ser lida à luz da fé da Igreja: Maria não busca atenção para si mesma, mas chama os filhos à conversão, à oração, à vida sacramental e ao encontro com Jesus Cristo.
No espírito do Tratado da Verdadeira Devoção, esta ficha recorda que Maria é caminho seguro para Jesus. As aparições, santuários e devoções marianas só são bem compreendidos quando ajudam a alma a amar mais a Cristo, a Igreja e os sacramentos.