Embora o essencial desta devoção consista no interior, não deixa de ter várias práticas exteriores que não devem ser negligenciadas: “Eis o que era preciso fazer em primeiro lugar, sem, contudo, deixar o restante” (Mt 23, 23). Seja porque as práticas exteriores bem feitas ajudam as interiores, seja porque recordam ao homem, que se conduz sempre pelos sentidos, o que ele fez ou deve fazer; seja, ainda, porque podem edificar o próximo que as vê, o que não ocorre com as práticas puramente interiores.
Portanto, que nenhum mundano critique nem aqui se intrometa, para dizer que a verdadeira devoção reside no coração, que é preciso evitar as exterioridades, pois pode haver nisso vaidade, que é preciso ocultar a devoção, etc. Eu lhe respondo com meu Mestre: “Que os homens vejam vossas boas obras, a fim de que glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 16). Não que se deva fazer suas ações e devoções exteriores, como diz São Gregório, para agradar aos homens e disso tirar qualquer louvor, pois tal seria vaidade. Mas algumas vezes são feitas diante dos homens no intuito de agradar a Deus e de fazê-Lo glorificar por esse meio, sem se preocupar com desprezos ou louvores dos homens.
Mencionarei apenas resumidamente algumas práticas exteriores, que chamo de exteriores não porque são feitas sem o interior, mas porque têm algo de exterior que as distingue das que são puramente interiores.